Estudo realizado pela Sociedade Americana de
Câncer indica que apenas 6% das mulheres com mais
de 40 anos seguem à risca as orientações
de repetir a mamografia todos os anos. O resultado está
provocando um certo temor por parte dos médicos,
já que está provado o quanto a precocidade
da detecção de um câncer contribui
para o sucesso do tratamento.
“A mamografia ainda é o método atualmente
disponível mais eficiente na detecção
precoce de câncer de mama, podendo reduzir consideravelmente
o índice de mortalidade em mulheres acima dos 50
anos. Daí a importância de a paciente não
sentir-se desencorajada a fazer o exame uma vez por ano”,
diz o médico Aron Belfer, da URP Diagnósticos
Médicos.
Uma
vez que a mamografia é um exame coberto pela
quase totalidade dos planos de saúde no Brasil,
Belfer aponta outras possíveis causas que justifiquem
o descuido feminino em relação à
saúde. “Pacientes que utilizam o Sistema Único
de Saúde (SUS) e conhecem o longo tempo de espera
a que têm de se submeter para passar em consulta
e fazer os exames necessários, muitas vezes acabam
adiando o controle mamográfico. Até porque
nem sempre há um posto de atendimento com mamógrafo
próximo ao bairro em que residem”.
O
radiologista também julga a mídia e as
campanhas públicas de divulgação
deficientes no sentido de conscientizar de fato as pacientes
a repetirem os exames anualmente. “É comum o
pensamento feminino ‘se o exame deu normal, para que
repetir daqui a um ano?’. As campanhas costumam entusiasmar
um grande número de mulheres. Mas, depois de
participarem de passeatas e eventos, não retornam
ao médico para repetir o exame”.
Por
fim, outro problema que costuma inibir as pacientes
é sentir dor durante o exame. Muitas se queixam
de um certo desconforto enquanto suas mamas são
posicionadas no equipamento e acabam preferindo correr
riscos a se submeter novamente ao “sofrimento” no ano
seguinte.
Para
amenizar o problema e incentivar o diagnóstico
precoce, Belfer aposta em profissionais treinados para
esse tipo de abordagem. “Um relacionamento bem conduzido,
entre a técnica que vai realizar o exame e a
paciente, é de fundamental importância.
A técnica deve explicar a razão de cada
gesto durante o procedimento. Isso tranqüiliza
a paciente, levando a uma mamografia adequada e suportável.
Mesmo com uma rotina bastante intensa, é necessário
dedicar esse tempo para explicar o procedimento antes
e durante o exame.”
O
estudo americano apontou um número maior de mulheres
que procuram seguir rotinas anuais de diagnóstico
em pacientes com idade entre 55 e 65 anos e histórico
de câncer na família.
Fontes:
Dr. Aron Belfer, radiologista e diretor da URP Diagnósticos
Médicos
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